segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Newton Sá - Escultor


NEWTON SÁ
Nasceu em Colinas a 3 de agosto de 1908. Aos 16 anos já era possível notar seu talento para a escultura. Manteve vários contatos com a comunidade artística da época, especialmente com Telésforo de Moraes Rego, Newton Pavão, Rubens Damasceno e Arthur Marinho.
Em 1927, então com 19 anos, já havia produzido muitas peças e mantinha um ateliê na Rua Afonso Pena, nº 6. Em 1928 e 1929 viajou para o Rio de Janeiro com o intuito de aperfeiçoar seu trabalho. Além de escultor, Newton Sá foi professor de desenho e trabalhos manuias da Escola Normal de São Luís.
Em 1934 expôs no Salão do Café da Paz, em Belém (PA) obtendo boa aceitação através da crítica local. De volta a São Luís ganhou uma bolsa para estudar no Rio de Janeiro.
Em 1938 foi nomeado membro correspondente do Maranhão pela Academia de Artes e Ciências do Rio de Janeiro. Foi também membro efetivo da Sociedade Brasileira de Belas Artes.
Teve várias premiações no Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro; medalha de bronze pela peça Busto do General Rondon , no salão de 1939, medalha de prata com o trabalho Mãe D’água amazônica no salão de 1940 (existe uma cópia desta peça na Ilha do Governador –RJ).
Além de esculturas, Newton Sá produziu caricaturas e ilustrações para jornais das décadas de 20 e 30.
O descaso do poder público e da própria população foi responsável pelo desaparecimento da maioria das obras de Newton Sá. Muitas foram destruídas e outras estão em péssimo estado de conservação.
A Mãe D’água amazônica (que pode ser vista na fonte da Praça da Sé) foi o último trabalho de Newton Sá em 1940 e concluiu a belíssima produção de suas obras. O artista morreu no final do mesmo ano.

Fonte: A obra escultórica de Newton Sá. Raimunda Fortes. Siciliano. São Paulo. 2001

Celso Antonio de Menezes


CELSO ANTONIO SILVEIRA DE MENEZES
Um dos maiores escultores do modernismo brasileiro, nasceu no dia 13 de julho de 1896 em Caxias. Aos 16 anos parte rumo ao Rio de Janeiro para estudar no curso de Desenho na antiga Escola Nacional de Belas Artes, através de uma bolsa de estudos concedida pelo então governador do Maranhão, Urbano Santos.
Uma vez na cidade maravilhosa passa a freqüentar o ateliê do escultor Rodolfo Bernadelli, localizado no bairro do Leme e inicia a produção de suas primeiras esculturas, despertando o interesse no meio artístico e lhe rendendo alguns prêmios. Por conta disso recebe outra bolsa de estudos, desta vez do governador Godofredo Viana que o envia a Paris em 1923. Lá passa a freqüentar a Académie de La Grande Chaumiere e torna-se discípulo e, em seguida, auxiliar de Antoine Bourdelle, grande nome da escultura contemporânea.
Retorna ao Brasil em 1926, fixando residência em São Paulo. Por indicação de Di Cavalcanti esculpe o Monumento ao Café, situado na Praça Pará, em Campinas. Elabora as esculturas do presidente do Estado, Carlos de Campos e da Lídia Piza Rangel Moreira, no Cemitério da Consolação. Em 1930 vai morar no Rio de Janeiro convidado por seu companheiro de escola Lúcio Costa para lecionar na cadeira de Estatuária na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1934 foi professor do Instituto de Artes da antiga Universidade do Distrito Federal, juntamente com Cândido Portinari que ali lecionava pintura. Em 1940 executa em pedra a escultura Moça Reclinada para os jardins suspensos do gabinete no antigo Ministério da Educação e Saúde (MEC). Nesse período também executa a obra Maternidade que se encontra na praia do Botafogo.
Por solicitação do então ministro do Trabalho Honório Monteiro, esculpiu a estátua do Trabalhador Brasileiro, personificando na obra a força e a raça do homem brasileiro, idealizado por ele através de um negro. A obra, no entanto não agradou o público e foi esquecida por mais de 20 anos em depósito, tendo sida colocada muito tempo depois num pedestal no Horto Florestal, no bairro do Barreto em Niterói (RJ).
Morreu em 1985. Quatro anos depois o escritor Otto Lara Resendo (1922 – 992) divulgou um manifesto que reclamava o reconhecimento de Celso Antônio de Menezes, tido por ele e por muitos outros como um artista de singular valor. “Celso Antônio, tendo vivido e trabalhado num momento de renovação cultural em todas as frentes, foi um grande artista inovador. (...) o grande artista teve ao seu lado as melhores inteligências e sensibilidades do seu tempo. (...) Tudo o que se fizer em favor de Celso Antônio, a partir de agora, é justo e oportuno. Chega tarde, mas ainda chega a tempo de saldar uma dívida que o Brasil tem para com esse extraordinário artista”.

Fonte: ARTE DO MARANHÃO 1940-1990. Banco do Estado do Maranhão. São Luís, MA, 1994.

Maria Firmina dos Reis


Maria Firmina dos Reis (1825 – 1917) nasceu em São Luís, no dia 11 de outubro de 1825 sob duas condições que por si só já seriam capazes de exaurir qualquer futuro de uma mulher num país escravocrata. Era mulata e bastarda. Apesar disso, Maria Firmina rompeu com o sistema vigente e estudou até se “formar” professora. Aos 22 anos venceu o concurso público para a “Cadeira de Instrução Primária”, na cidade de Guimarães. Durante grande parte de sua vida, dividiu-se em duas pessoas: uma a professora e a outra, a escritora, sendo esta última a que mais se destacou. Maria Firmina escreveu e publicou por muito tempo, crônicas, poesias, ficção e até charadas. Mulher inteligente e culta teve participação relevante no cenário cultural nacional, atuando também como folclorista e compositora, tendo sido, inclusive, responsável pelo hino da Abolição da Escravatura.

Como romancista teve duas grandes publicações: Gupeva, de temática indianista, publicado em 1861 e Úrsula, publicado em 1859. Este último configura-se como o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira. Nele, a autora aborda a escravidão a partir do ponto de vista do negro. Para fugir da repressão que era comum na época, Maria Firmina assinou a publicação com o pseudônimo “Uma Maranhense”. Se já é difícil publicar um livro nos dias atuais, imagine esse cenário em pleno século 19, ainda mais para uma mulher, negra e nordestina. As dificuldades eram imensuráveis. Até por isso e por outros motivos, o livro Úrsula só veio a público em 1975, através dos estudos de Horácio de Almeida e de Nascimento Morais Filho, grande pesquisador das obras da romancista.

Maria Firmina foi uma mulher à frente de seu tempo que rompeu a barreira do preconceito, fundamentado no racismo e no machismo, e mostrou para o mundo a importância da literatura maranhense. Ao contrário do que era vigente na época, quando os homens, brancos e ricos iam para a Europa, estudar nas melhores faculdades, Maria Firmina provou que a busca pelo conhecimento não tem fronteiras físicas e deu ao mundo um romance recheado de denúncia de injustiças arraigadas na sociedade patriarcal brasileira e que tinham no escravo e na mulher suas principais vítimas.
Morreu em 1917, aos 92 anos sem ver sua principal obra reconhecida pelos intelectuais da época.

Fonte: Nascimento Morais Filho

Reginaldo Fortuna


Reginaldo José de Azevedo Fortuna nasceu em São Luís no dia 21 de agosto de 1931. Considerado um dos maiores cartunistas do Brasil, ainda criança conheceu o semanário A Manhã, sendo uma de suas publicações favoritas. Mudou-se com sua mãe para o Rio de Janeiro após perder o pai, aos 14 anos. Seus primeiros trabalhos na imprensa foram publicados no final da década de 40 na revista infantil do Sesi, Sesinho, A Cigarra e Revista da Semana.
No final da década de 50 o estilo inconfundível de Fortuna apareceria nas belíssimas páginas da revista Senhor. Em 1964, às vésperas do golpe militar e em parceria com Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Claudius, Sérgio Porto, lançam o quinzenário colorido O Pif-Paf, publicação que sobreviveu até o oitavo número e serviu de base para o mais importante jornal de oposição à ditadura, O Pasquim. Nessa época também foi chargista no jornal carioca Correio da Manhã. Quando o Correio da Manhã foi extinto no final dos anos 60, eis que surge O Pasquim, produzido por Fortuna, Tarso de Castro, Millôr Fernandes, Ziraldo, Paulo Francis, Luis Carlos Maciel, o novato Henfil e dezenas de outros colaboradores.
No início dos anos 70 Fortuna mudou-se para São Paulo e assumiu o posto de diretor de redação da revista Cláudia, onde passou a dar conselhos às leitoras sob o pseudônimo Ana Maria. Em seguida tornou-se editor de arte e capista da (revista) Veja, onde ficou até 1975. Nesta mesma época em contato Luiz Gê, Paulo e Chico Caruso, Laerte, Cláudio Paiva e Nani, lançam o quadrinho O Bicho e surge com a personagem “Madame e seu bicho muito louco”.
Em 77 Fortuna vai para A Folha de São Paulo fundar com Tarso de Castro o suplemento “Folhetim”, uma espécie de pasquim encartado no próprio jornal. A partir daí inicia uma nova fase como chargista editorial. Fortuna saiu da Folha em 84, logo depois da campanha das Diretas, e ficou um longo tempo fora da grande imprensa, retornando com charges semanais para a Gazeta Mercantil.
Foi considerado um dos 100 melhores cartunistas do mundo em 1977 pela Casa do Humor e Sátira de Gabrovo, da Bulgária.
Fortuna morreu aos 63 anos de um fulminante ataque cardíaco, no dia 5 de setembro de 1994, em São Paulo.

Fonte: www.vermelho.org.br/museu/principios/anteriores.asp?edicao=35&cod_not=835 - 45k -

Érico Junqueira


ERICO JUNQUEIRA AIRES

Nasceu em Salvador (BA) em 1948 e saiu de lá com destino ao Maranhão aos oito anos, indo diretamente para Balsas. Autodidata, naquela época ainda não havia descoberto o seu talento para o desenho. Foi saber que possuía o dom somente aos 11 anos, andando por uma praça de Caxias e deparando-se com uma banca de revistas. Nunca em sua vida tinha vista nada igual. Aquele mundo de cores e formas através de uma revista, tendo resolvido adquirir a que mais lhe chamara atenção, a (extinta) Amigo da Onça.

Já em São Luís, ainda na adolescência desenhava tudo que pegava, sempre se baseando em sua grande paixão: os quadrinhos. Já rapaz conhece o então ilustrador do Jornal Pequeno e com ele alarga seus horizontes em relação a ilustração. Aos 18 anos, consegue seu primeiro emprego, na Secretaria de Agricultura e é lá que faz seu primeiro trabalho, uma charge na extinta revista Legenda. Ao ver seu trabalho publicado sente um imenso orgulho de si mesmo e busca se aperfeiçoar cada vez mais. Paralelamente ao desenho, estudava e trabalhava. Depois da Legenda publica suas charges na revista Baú de Cartoons e lá conhece o jornalista Cordeiro Filho.

Foi a convite de Cordeiro Filho que Érico participa de sua primeira exposição, na década de 70. Essa mostra foi censurada porque os conservadores da época a acharam imoral.Para adquirir experiência começa a enviar seus trabalhos para salões fora do Estado.

O primeiro foi o Salão Mackenzie de Humor, o qual tomara conhecimento através de O Pasquim. Já na década de 80 envia um cartun para o Salão de Humor do Canadá e tem o prazer de ver seu material publicado no catálogo do Salão. Além dos salões publicou charges em nos jornais cariocas O Pasquim e Hora do Povo, e nos pernambucanos O Povo e Jornal do Commercio.

Participou de centenas de salões de humor espalhados pelo mundo, tendo conquistado cerca de 85 prêmios desde a década de 80. Segundo ele, a média de prêmios é de 10 por ano. Esse ano já recebeu sete e está a espera de alguns outros resultados. Prefere participar de salões internacionais por achar mais interessantes, uma vez que sempre concorre com artistas de vários países. No Brasil, destaca os salões de Piracicaba e do Piauí como os mais importantes. Por conta de seus excelentes trabalhos já foi chamado para participar do júri de um salão até na França.

Sua produção é incessante e não atrapalha sua atuação profissional. É graduado em Engenharia e professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão e do Departamento de Desenho Industrial da Federal do Maranhão.

Atualmente uma polêmica gira em torno de um cartunn seu, o qual foi premiado no Rio Grande do Sul. Ele enviou este mesmo trabalho para concorrer em um salão no Oriente Médio, e teria sido plagiado por um artista indiano que participou num salão na Indonésia. A descoberta foi feita pelo próprio salão da Indonésia, que entrou em contato com ele para lhe avisar sobre a “semelhança”.

Fonte: entrevista com o artista

Preto Ghóez


Natural de São Luís, Márcio Vicente Góis ficou mais conhecido como Preto Ghoéz. Passou sua infância na periferia e catou muito caranguejo nos mangues da capital. Viveu na pele como é passar por uma instituição de reparação para menores infratores, oportunidade que fortaleceu sua veia artística na área musical, com forte tendência para o Hip Hop, influenciado diretamente pelas letras das músicas dos Racionais MC e pela biografia de Malcolm X.
Dentro do Hip Hop, militou por oito anos, a partir de 1993, no grupo Quilombo Urbano, de São Luís, uma das organizações mais politizadas e atuantes do movimento, e fez parte de vários outros grupos, como o Skina e o Milícia Neopalmarina. Foi um dos vocalistas do Clã Nordestino, que com o CD A peste negra do Nordeste, recebeu o "Prêmio Hutus" de Hip Hop na categoria revelação (o prêmio é considerado o maior do gênero na América Latina e elege os melhores do Hip Hop Nacional).
Poeta e rapper, como militante foi um dos líderes do Movimento Hip Hop Organizado do Brasil (MHHOB), uma das organizações nacionais do setor. Foi também um dos idealizadores, em parceria com o Ministério da Cultura, do projeto "Fome de Livro na Quebrada" – que visa fomentar e fortalecer a cultura nacional e regional do Hip Hop através da sala de leitura --, implantado em outubro de 2004 em oito cidades brasileiras.
Três meses ante de falecer, Ghoéz passou a integrava um grupo de trabalho destinado a desenvolver parcerias entre ações do governo e o movimento Hip-Hop. O grupo foi criado a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo composto de representantes do movimento Hip-Hop de todo o país, além de membros do governo.
Preto Ghoéz faleceu aos 32 anos, vítima de acidente de carro no dia 9 de setembro de 2004, em Santa Catarina

Fonte: Ministério da Cultura